Café com Ciência "Mudança da hora: sim ou não?"

O Planetário - Casa da Ciência Centro Ciência Viva de Braga irá realizar o Café com Ciência "Mudança da hora: sim ou não?" no dia 29 de março (sexta-feira) às 21.30h.


Este Café com Ciência contará com a presença do cientista Rui Agostinho.


"Imagine um cenário em que chegamos a 28 de outubro e não atrasamos o relógio, como está previsto e tem acontecido nas últimas décadas, ficando na hora de verão, como agora propõe a Comissão Europeia. O que vai acontecer?

Nos dias mais curtos do ano, em dezembro e janeiro, o nascer do sol vai acontecer apenas às 8.55, bem perto das nove da manhã. Em compensação, no inverno o sol deixará de se pôr antes das 18, já que o mais cedo que vai desaparecer do horizonte é às 18.14."


"Em Portugal, a última tentativa de mexer nos horários aconteceu entre 1992 e 1996: nesses quatro anos a hora continuou a mudar, mas o País adotou a hora da Europa Central, seguindo o meridiano de Berlim. A decisão foi do Executivo de Cavaco Silva e o objetivo era acertar relógios com os nossos parceiros europeus, favorecendo os negócios. No entanto, o desfasamento em relação ao tempo solar era tão grande - chegava a duas horas e meia - que as pessoas estranharam. O Governo de António Guterres não perdeu muito tempo antes de voltar ao Tempo Médio de Greenwich (GMT), em 1996." (in DN 31-08-2018)


O Homem utilizou alguns padrões periódicos da Natureza para planificar, principalmente as suas actividades agrícolas. Não é de estranhar que a medição do tempo se baseie na duração dos dias, nas fases da Lua e na periodicidade de condições climáticas. Além dos primeiros relógios de sol datados de 5000 a 3500 a.C. um dos primeiros Calendários conhecidos foi desenvolvido no Egipto por volta de 3000 a.C.

O desenvolvimento da astronomia proporcionou uma maior precisão na medição do tempo. O calendário Juliano adoptado pelos romanos serviu de base ao calendário gregoriano, instituído no século XVI, que é utilizado atualmente. O desenvolvimento da roda dentada, inventada por Arquimedes em 287 a.C., foi imprescindível para que se desenvolvessem os relógios mecânicos, séculos mais tarde. Contudo a medição do tempo manteve-se durante séculos baseada no movimento aparente do sol fazendo com que cada aldeia ou cidade tivesse o seu fuso horário próprio. No século XIX assistiu-se a uma melhoria dos meios de transporte, como é o caso da linha ferroviária que ligou a costa este à costa oeste dos EUA e das vias de comunicação, como é o caso do telégrafo. Este caos horário tornou, por exemplo, praticamente inexequível a criação de horários de transporte. Em 1884, na Conferência Internacional do Meridiano criaram-se as regras que usamos hoje para dividir o Planeta em 24 fusos horários. Cada fuso horário corresponde a 1 hora de diferença, que corresponde ao tempo em que no seu movimento aparente percorre 15º. Isto significa que locais próximos entre si podem ter 1 hora de diferença enquanto outros significativamente distantes (mais de 1600 km na direção Este-Oeste) terão a mesma hora oficial.

Por outro lado, embora a medição do tempo seja determinada pelo movimento aparente do Sol, o movimento da Terra à volta do sol não é uniforme. A velocidade de translação da Terra varia ao longo do ano. Entre outros aspectos, estas acelerações fazem com que, num determinado local, o nascimento do sol não ocorra a cada 24 horas. Esta diferença é de cerca de 3 horas. Ou seja, sem a alteração da hora a discrepância entre a hora do nascimento do sol ao longo do ano é de 3 horas (entre 6h e 9h se se mantiver o horário de verão, entre as 5h e as 8h se ficar o horário de Inverno).



Sobre o Cientista convidado:

Rui Agostinho é Doutorado em Astrofísica/Física pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA. Fundador e investigador do Centro de Astronomia e Astrofísica da UL (CAAUL) e investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. É atualmente Professor Auxiliar no Departamento de Física (DF) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e membro da União Astronómica Internacional e da European Astronomical Society. Foi Diretor do Observatório Astronómico de Lisboa/FCUL entre 2006 e 2013. As áreas de Investigação em Astronomia abarcam a “Estrutura, dinâmica e evolução da Via Láctea”, ”Abundâncias químicas estelares na galáxia. Abundância de lítio”, “Astrometria, Fotometria e espectroscopia no visível” e “O impacte do ambiente radiativo galáctico na evolução da vida na Terra”. Para além da vida académica é um excelente divulgador científico contando no seu currículo com várias publicações nas quais foi autor, colaborador ou revisor científico.


O Café com Ciência é uma atividade gratuita mas requer inscrição através do geral@casacienciabraga.org

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